domingo, 6 de Dezembro de 2009

QUANDO O OLHAR ANTECIPA O PENSAMENTO


JOÃO MANUEL
ROCHA DE
SOUSA

nasceu na pacata cidade de Silves, antiga capital do Algarve. Homem ímpar e artista multidisciplinar, construiu uma actividade curricular que excede o normal.
É escritor de ficção, artista plástico, crítico de arte e Docente. Neste último campo, desenvolveu teorias sobre arte, fazendo-o através duma perspectiva distinta e dialéctica modernista que muito o caracteriza. O seu conceito de arte, foi tão inovador quanto necessário para a formação dos artistas que sempre pretenderam representar uma outra percepção do visível. Como ele próprio diz: - «o mundo é, em si, muito diferente daquele que percepcionamos».

Formado pela antiga Escola de Belas-Artes de Lisboa, Rocha de Sousa foi professor durante o período conturbado do pós-25 de Abril, desempenhando um papel activo na reforma dos Estudos Superiores de Arte. A sua peculiar acção pedagógica e visionarismo foram factores preponderantes para a consolidação duma reforma que visava instaurar a Faculdade de Belas Artes na Universidade de Lisboa. Nessa deriva, ia expondo a sua obra plástica com frequência, individual e colectivamente, nas mais prestigiadas galerias do país. Bertrand, Galeria de Arte Moderna (SNBA), 111, Quadrante e Diário de Notícias são alguns exemplos. Rocha de Sousa já expõe desde 1965.
A sua obra encontra-se representada no acervo da Fundação Calouste Gulbenkian, Museu de Arte Contemporânea, Museu de Angola, Museu Nacional da Farmácia e colecções particulares portuguesas e estrangeiras. Paralelamente e no campo literário, escreveu ficção e teatro: «Amnésia», «Os Passos Encobertos», «Angola 61 - uma crónica de guerra», «A Casa Revisitada»», «A Culpa de Deus», «Belas-Artes e Segredos Conventuais» e «A Casa».
«Coincidências Voluntárias», obra sobre arte e vida contemporânea em Portugal, ,«A Estrela de Jonas», teatro com base numa novela de Camus, são obras no prelo ou em estudo por parte de editores. O seu mais recente livro, «Obra de Ninguém», aguarda data de lançamento para breve.

Rocha de Sousa, fez também pesquisa técnica no âmbito artístico, abordando e desenvolvendo teorias sobre arte publicadas na UA: «Didáctica da Educação Visual» e «Ver e tornar visível». Além de textos técnicos na revista «Sinal», para o Mestrado de Tecnologia da Comunicação Visual, incluindo o reaproveitamento da obra «Desenho»/área de artes plásticas. Editou igualmente livros de estudo e análise sobre artistas nacionais conceituados: Gil Teixeira Lopes, Helder Batista, Eduardo Nery, Dourdil e Pedro Chorão.
Actualmente, faz crítica de arte no JL, com idêntico interesse pela escrita de ficção.

A Sétima Arte, foi talvez a sua paixão menos correspondida. Tendo realizado a título experimental, algumas peças ou filmes de ensaio muito interessantes, onde a condição humana era o principal tema abordado. Não obstante, Rocha de Sousa produziu, no domínio da pesquisa, objectos cinematográficos inovadores naquele âmbito, e séries televisivas de cultura em adequação ao plano pedagógico, como invenção de novos modelos expressivos. Dos produtos televisivos, citam-se casos como; «A Arte e as Coisas», «A Mão, «O Homem em Desenvolvimento», entre outros.

Neste sentido, é consequente, pela sua magnitude, dar a conhecer o homem e o artista a um mundo convenientemente míope, ingrato e mutilador. Falar sobre uma personalidade assim, com uma vida assim, onde os espaços vazios não conhecem lugar, é o deleite de qualquer biógrafo.
Pessoalmente, pelo sentimento de amizade e admiração que nutro pelo artista, é um enorme privilégio poder homenagea-lo em vida. Contudo, e por muito que se diga, é impossível fazê-lo com a fidelidade que Rocha de Sousa merece. Nessa impossibilidade, deixo-vos com as suas próprias palavras. Palavras de carácter introspectivo que testemunham a grandeza de uma alma.

Miguel Baganha
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- O texto que se segue, funcionou como prefácio num catálogo da exposição do artista na Galeria Municipal de Arte em Almada, na qual foram abordados diversos aspectos da obra multidisciplinar do autor:


«COINCIDÊNCIAS VOLUNTÁRIAS »
OU, ROCHA DE SOUSA, AUTOR DE AUTORES SEM HETERÓNIMOS OU PREFÁCIO PARA UM LIVRO COM O AUTO-RETRATO QUE ESTA EXPOSIÇÃO PODE SUBSTITUIR.

«Ninguém me olhou de fora, a uma distância crítica, para que este livro viesse revelar o autor que porventura sou e a natureza da obra que produzi. O autor, ele-mesmo, tornou-se por isso também autor do presente texto: a viagem possível, assim, não beneficia das erudições específicas nestes casos, não decorre do afastamento afectivo por cada análise ou cada conclusão, não envolve sequer um verdadeiro olhar ao espelho, com todas as eventuais devastações dessa aventura sempre complexa. Alguém, por seu lado, na estrita condição de autor-autor, tentou falar-me de uma finalidade que eu já conhecia: ser vários é, normalmente, ser menos do que se poderia ser um único espaço de expressão. Esse artista pintor sustenta que só poderá realizar-se numa espécie de culminância da convicção e do fazer: procura o acto pleno, a obra perfeita. Isto espanta-me e inebria-me um pouco, mas não tenho com a obra, inevitavelmente, essa relação mística. Pelo contrário, vivi sempre o efeito de urgência perante o alarme em redor. Suspenso da memória e da revolta contra os desastres principais, a minha passagem pela oficina é um acto quase cego, de uma visão por dentro, recorta-se sobretudo como entrega desesperadamente afectiva ao novo espaço deserto que me espera de cada vez. Todos os quadros, bem vistas as coisas, são projectos falhados, são recomeços, sentimentos, dilacerações - ou a história por vezes longa de uma paixão que não parece destinada à permanência e termina quase de súbito, deixando na alma um mar de destroços afinal sem arrumação plausível. O quadro é isso, é esse encontro esplendoroso, é esse peso de restos a que muitos de nós recorrem depois, na casa destruída de todas as infâncias, para o recomeço de outros sonhos semelhantes, entre o espólio antigo, insubstituível e as alucinações contemporâneas. Mas, ao introduzir aqui um bloco antecedente de palavras, o meu intuito não é justificar precaridades, tornar desde logo inteligível o porquê de ter feito pintura e crítica de arte, ensaio e ficção literária, cinema e televisão, além de prosseguir um trabalho regular no ensino artístico. Alguém chamou a este conjunto de percursos «coincidências voluntárias», acreditando no interesse da sua análise e do seu confronto e naturalmente pela curiosidade de um autor se fazer coincidir (de forma voluntária) em vários. Não vou imitar o esforço dessa leitura em auto-retrato mas darei notícia breve da existência dos autores nos capítulos seguintes. Quero assinalar desde já, na linha da minha própria pesquisa sobre os modos de ver e de representar, sobre a memória e a ficção, o critério expositivo aqui utilizado: porque, através dele, não se pode isolar um preceito exclusivo de análise, nenhum auto-retrato de semelhança inapelável, nem tão pouco a explicação dos passos do destino antecipado pela história fragmentária de certos contextos. Mas é óbvio que, ao procurar aprender o essencial do meu «projecto poético», tive de reconhecer quanto me defrontei com a urgência do testemunho, preferindo uma arte cuja proposição interventiva configurasse de algum modo aquele pressuposto. Tratou-se sempre de uma opção difícil mas inevitável, cheia de retornos à raíz da pintura e do problema, envolvendo assiduamente o desconforto da contingência minimizadora e ainda o paradoxo da forma tender a integrar-se num suporte sociológico que entretanto denunciava pela suspeita apocalíptica. A construção da fala ou da mensagem, para quem já não espera a crença, é também, por outro lado, um problema áspero. Fui assim, de meio em meio, assumindo a necessidade de conjugar uma sensível variedade de planos de registo - memórias do real, gente viva, personagens da ficção literária, coisas pressentidas, tempos diferentes, o longe e o perto, as dilacerações próximas, os desastres quotidianos, os esquecimentos e os banimentos, as ideias cumpridas, as ideias abandonadas, um roteiro imenso de longos planos cuja síntese acabou por ser verbalizada e publicada no livro charneira OS PASSOS ENCOBERTOS. Em mim desmantelaram-se de súbito complicados castelos de cartas, cavaleiros de papel no alto da colina, e por fora, em redor, no espaço cultural português, aconteceu o irrevogável alastramento de novas mitologias. Cristina, que é personagem de OS PASSOS ENCOBERTOS, sugere-se como realidade concreta, explicando inspirações e derrocadas, para se tornar, enfim, Ana ou Dasy. Essas outras nomeações vêm referir, por um lado, a inevitável perda do sonho, destacando-se, por outro lado, como metamorfose dolorosa do ser amado (e da obra) no espaço que sempre foi suporte ou fronteira de um destino sísifiano - memória de Kafka, ideia convocada da resistência humana de Béranger, Jonas também, ainda pintor diante da tela vazia, já incapaz de distinguir, no brilho da sua estrela em declínio, a solidariedade da solidão.
Parece-me então eticamente indispensável esclarecer, perante aqueles que supõem vir a encontrar neste pequeno livro a análise e as razões todas de uma obra, que não é disso qu
e se trata - mas antes, e de novo, de um trajecto plural, em parte ficcionista, divisão ainda de mim pelos objectos vividos ou por várias dimensões do imaginário. São viagens por concluir e personagens já nomeadas, gente real e figuras do sonho, um universo de sucessivos entrosamentos significantes, como na vida, onde tentei significar as linhas de força ou de sensibilidade que me serviam de rota para destinos diversos. Sou pintor, não nego, mas não descrevi quadros nem argumentei datas. Sou professor de arte mas não tracei nenhuma teoria pedagógica nem fiz a história das reformas para as quais dei contribuições efectivas e que o país, pela mão indecisa dos seus dirigentes, tem ignorado. Escrevi vários livros - poucos, em todo o caso - mas apenas cito um deles como referência indispensável ao sentido de certas ideias, motivos, convicções, esperanças e desencantos. Num tempo de especialidades e de especialistas, não me parece muito cativante o trabalho de quem se delibera plural. Há os que praticam uma pintura sem referentes, ou alheia ao sangue da memória, e não imaginam possível, no mesmo suporte, o aparecimento da notícia, do testemunho, um sulco de empenho pelos factos da incandescência contemporânea. Eu penso que sim, que esse tipo de coexistência tem cada vez mais sentido no mundo actual. Desconheço-me contra a corrente, apesar das diferenças e das divisões: pretendo sobretudo encarar as hipóteses formais capazes de sustentarem aquele empenho, mesmo que tenha de aceitar vários riscos e ser vários no território da minha própria identidade. Poderei então falar, sem reserva, de retratos antigos e de combates recentes - através da palavra ou da mobilidade cinematográfica. Respeitei assim, sem dúvida e até ao limite do possível, o quadro das vocações específicas da pintura mas considerando-a ainda como palco privilegiado da representação. Esta atitude, que tenho mantido desde os anos sessenta, permite-me tomar a linguagem plástica em termos profanos, isto é: libertando-a de convenções espúrias, das formas mudas, da fixidez dos achados. Aceitando as marcas do grito, ou da revolta, ou dos temas que atravessam quotidianamente o meu olhar, terei de colocar entre parênteses o princípio do dogma, o império dos estilos e das tendências afinal fechadas e transitórias, privilegiando, um pouco como no cinema e na literatura, a emergência de certas personagens ou memórias, o destino das Cristinas e das Helenas, as cidades da infância nos passos meio encobertos de várias ficções.


Haverá assim, não a grande obra de sinal místico e projecção histórica inabalável, mas sulcos de um viver que nunca soube exprimir-se senão pelo campo aberto das «coincidências voluntárias», um autor desdobrando-se em autores, sem heterónimos nem pseudónimos, a deixar o outro e os outros florescer em si mesmo

Rocha de Sousa

1987

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"FERIDA IRREPARÁVEL"

(acrílico sobre tela, Rocha de Sousa)

















«
Ver e representar podem passar por vários canais de análise e especulação mas a sua passagem para o fazer, vem constituir-se na grande plataforma dos modos de pensar o mundo.
Em liberdade, naturalmente.
»

Rocha de Sousa


segunda-feira, 30 de Novembro de 2009

BIBLIOGRAFIA E OUTROS DADOS BIOGRÁFICOS


ROCHA DE SOUSA


















Extractos dos cadernos de Rocha de Sousa:

1
Há a fronteira e a ausência dela; por isso me divido. Mas o grito que me sobra não se dilui no vazio, em pleno suicídio: reconstrói, palavra a palavra, a própria infinitude das coisas após as coisas, é assim um modo de recuperar a vida, a vida porque sim, como os astros na abóbada negra infinitamente porque sim. A vida, feita portanto do apelo irracional, mas também de memória, de ficção, de sucessivos revestimentos - nomeações do próprio enigma, suportes linguísticos para os rostos (ou fantasmas) que percorrem, a meu lado, a cidade sem deus.
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2 Quem não tenta esquecer as ruínas, o sangue e a morte? O exorcismo do esquecimento poderá conter-se na representação de tudo isso? Os homens enganam-se com a luz interna que lhes permite ver o mundo e substituir nele, com paraísos de devaneio, imagens velhas ou proximidades degradadas. Quando recorrem ao sortilégio da noite, por diversas razões do mesmo apelo, é da noite electrificada e ruidosa que falam, convictos, cosmopolitas, entregues. Já não referem, com efeito, a noite dos que morreram em nosso nome, sem bares, sem luz, percorrida no pavor das feridas. Nem recordam sequer das madrugadas húmidas, os ruídos baços, os mortos chegando. A bonomia mundana, após cada «vernissage» do sucesso e do inconformismo escandalosamente conformado, não conhece culpas nem a urgência da denúncia - elege-se na plena encenação dos novos mitos. Pintar, por exemplo, é agora fingir a raiva pela banalidade enfática dos meios, numa fealdade sem destino, antecipadamente paga em moeda forte: o sangue tornou-se dourado e as superfícies negras e rugosas, que nada devem ao nosso engano ou ao nosso abismo, convocam apenas o ritual sumptuoso de uma missa sem língua. Para muito dos nossos contemporâneos, optar é esquecer.
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3 Colocando entre parênteses os críticos do retrato emblemático e outros perturbadoramente iguais que foram surgindo nos anos oitenta, sinto-me de novo tentado a questionar o destino implícito nas solidões ou nas solidariedades da pintura, o como e o porquê dos esplendorosos instantes de revolta - na própria contensão de um quadro como «Guernica», na terrível ressonância que Edvard Munch imprimiu àquele seu grito isolado na ponte. Claude Roy ensinou-nos a olhar para Picasso como um pintor do espírito, da violência e da doçura do sentir. Foi através dele, no «Amor da Pintura», que me envolvi dramaticamente nessa evidência de que um quadro é um ser vivo, um ser que sentimos e que, acima de tudo respira. E se Picasso tinha necessidade de simular a pobreza para entender por dentro a sua própria condição humana - ou seja, o modo de alcançar a alma da sua arte e da sua voz - então Jonas, vítima de várias brasileiras em retratos possessivos, tinha razão quando se dilacerava no vértice agudo das duas verdades de que era feito, como Picasso ou Van Gogh, ou Modigliani, ou quase todos os primeiros heróis da interpretação contemporânea da diferença, na semelhança do humano e na urgência de uma voz original cada vez mais destituída de sentido pela febre mundaníssima dos falsos ídolos, da avalanche do consumo tarde ou cedo à porta da oficina.
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4 Para um pintor como eu, cuja experiência passada é um lastro decisivo ou mesmo pesado, absorvente, dilacerante, o problema do discurso e da sua natureza envolve as questões principais todas - e não apenas essa ideia tão grata a certas escolas contemporâneas de que a pintura é, antes do mais, «uma superfície coberta de cores dispostas segundo determinada ordem». Ainda hoje penso que, se Maurice Denis enunciou um princípio elementar, urgente para quem começa a escrever por dentro das formas, essa verdade não pode tornar-se totalitária, início e fim de todo o projecto pictórico. A base não é a cúpula.
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5 O que vemos é contingente, sem dúvida. Mas a incerteza inscrita no mundo pode ser, ela mesma, um dado com que se trabalha. Haverá porventura os que preferem reduzir a aparência ao dogma da perspectiva central, como quem espreita a paisagem pelo buraco de uma fechadura. Parece hoje irrelevante que a perspectiva central seja convocada, à maneira de verdade, para o espaço plástico. Mas não é menos absurdo que a procuremos exorcizar sem apelo, sobretudo em termos poéticos, só porque parece tão incerta e tão redutora quanto os sistemas que a precederam. De resto, deixando de parte muitas das reduções actuais, conformadas ao plano ou à pura desertificação dele, é tão legítimo trazer para a pintura vários sistemas de representação como é indispensável recorrer às projecções ortogonais para exprimir com verdade as plantas e os alçados de um projecto de arquitectura.
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6 Entre o contraste agressivo das significações e a plácida horizontalidade da planície, há a constante mutação dos elementos, ainda que imperceptível por vezes, e isso dura minutos ou milhares de anos. É a dinâmica própria das coisas. É também, em certa medida, a raiz da nossa mobilidade visual perante tudo o que parece imediato na superfície das aparências e todo o enorme sedimento que prepara o impulso criador: desde a qualidade da percepção ao espaço da concepção, entre milhares de passagens sobre os territórios da paz e do alarme.
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DADOS BIOGRÁFICOS


João Manuel Rocha de Sousa
Silves, 193
8


















Dados Gerais e
formação
:

Diplomado em Pintura pela Escola Superior de Belas-Artes de Lisboa, onde ingressou como assistente, em 1964.
Professor Agregado, desde 1970, pela Escola Superior de Belas Artes de Lisboa, onde desenvolveu actividade docente, de investigação e de coordenação científica, nomeadamente enquanto presidente do Conselho Científico.
Professor Auxiliar Convidado no Núcleo de Tecnologia de Ensino à Distância e também na Universidade Aberta.
Membro da Secção Portuguesa da Associação Internacional dos Críticos de Arte, onde desempenhou funções de secretário.
Foi membro dos corpos de gestão (Direcção e Conselho Técnico) da Sociedade Nacional de Belas Artes.
Participou em júris de provas para a obtenção do título de Professor Agregado e fez parte de outros júris nacionais de artes plásticas e de comissões para programação do ensino secundário e para estudo da integração das Escolas Superiores de Belas Artes na Universidade.
Membro fundador da Associação para Defesa do Património Histórico e Artístico de Silves.
Actividade pedagógica em pintura no ARCO e bolseiro da Fundação Calouste Gulbenkian para estudos introdutórios à didáctica das artes plásticas.
Actividade pedagógica, através de textos publicados e lições videogravadas no âmbito do Ano Propedêutico.

Actividade Geral
:

Participou, desde 1964 nas principais exposições colectivas efectuadas no país e em representações portuguesas no estrangeiro, além de ter realizado diversas exposições individuais ou de grupo em galerias portuguesas.

Principais exposições colectivas em que participou, no País e no estrangeiro:


1958

Exposição Histórica e Bibliográfica de Silves

1963
Exposição 10 x 3 (pintura e desenho), Luanda
Exposição Geral de Artes Plásticas, Luanda

1964/1965
Salões de Arte Moderna, Documental e de Outono, Junta do Turismo, Estoril

1965/1966
Exposições de Grupo I e II, com Gil Teixeira Lopes, Hilário e Hélder Batista - Sociedade Nacional em Lisboa

1965
II Salão de Desenho e Gravura, SNBA, Lisboa

1966
Jovens Pintores, Jovens Poetas, Grupo, Lisboa
Salão de Maio, SNBA, Lisboa
III Salão de Desenho e Gravura, SNBA, Lisboa
Inauguração de Novas Salas, Museu de Ovar
Salão Nacional de Arte Moderna, SNI, Lisboa/Évora

1967
I Salão de Arte Moderna do Funchal
I Salão de Arte Moderna (Artes Plásticas), Moura
Inauguração da Galeria Permanente da SNBA, Lisboa
II Salão Nacional de Arte Moderna, Lisboa
Salão «General Motors», SNBA, Lisboa


1969

11 Pintores, Museu de Arte
Moderna do rio de Janeiro Colectiva na Faculdade de Ciências, Lisboa
Exposição de Grupo com Nuno Siqueira, João Vieira e Menez - Galeria Judite Dacruz, Lisboa
Exposição de Grupo com os mesmos autores, Lisboa

1970

Colectiva na Galeria Alvarez, Porto
Colectiva na Escola Superior de Belas Artes, Porto IV Salão de Arte Moderna de Luanda (prémio) Novos Sintomas na Pintura Portuguesa, colectiva na Galeria Judite Dacruz, Lisboa, Exposição Mobil, SNBA, Lisboa, Exposição de Desenho JUAN MIRÓ, Barcelona, Exposição ABSTRACTOS E NEOFIGURATIVOS, Barcelona

1971

V Salão de Arte Moderna de Luanda
Colectiva de Desenho, Galeria de Arte Moderna, SNBA


1972

Exposição da Crítica (A.I.C.A.), SNBA, Lisboa


1973

Exposição 73, SNBA, Lisboa Exposição da Crítica (A.I.C.A.), SNBA, Lisboa


1975

Exposição «FIGURAÇÃO HOJE», SNBA, Lisboa
Exposição Colectiva sobre Colagem, SNBA, Lisboa GRAVURA PORTUGUESA CONTEMPORÂNEA 70/75, Paris - França ARTE PORTUGUESA CONTEMPORÂNEA, Brasília e S. Paulo - Brasil 20 Anos de Gravura, Gulbenkian, Lisboa Arte Moderna Portuguesa, SNBA, Lisboa ARTE PORTUGUESA, Lunds - Suécia Gravura Portuguesa Contemporânea, (C.G.P.), Lisboa ARTE PORTUGUESA, República Democrática Alemã Salão «Pena de Morte e Tortura», SNBA, Lisboa Arte Portuguesa Contemporânea, Caracas


1977

«Papel como Suporte na Expressão Plástica», SNBA
Salão «Mitologias Locais», SNBA, Lisboa Cultura Portuguesa em Madrid, Madrid - Espanha


1978

Salão de Arte Moderna, SNBA, Lisboa
GRAVURA PORTUGUESA CONTEMPORÂNEA, Brasil


1979

Salão «Arte Portuguesa Hoje», SNBA, Lisboa
Salão de Artes Plásticas de Coruche, Coruche Salão «Desenhar e Gravar», SNBA, Lisboa Exposição Colectiva, Galeria 1º andar da SNBA Artes Plásticas e Banda Desenhada, (S.E.C.), Galeria Nacional de Arte Moderna, Belém, Lisboa


1980

«CONVENÇÕES DO DIZER», exposição de grupo com Carlos Carreiro, Gil Teixeira Lopes, Hélder Batista, José Cândido, Jorge Pinheiro, Lima Carvalho, Matilde Marçal, Natividade Correia, Pedro Rocha, Querubim Lapa, Rogério Ribeiro e Virgílio Domingues - SNBA, Lisboa,
Exposição «FIGURAÇÕES INTERVENÇÕES» (autores portugueses e estrangeiros, organização de Egídio Àlvaro) SNBA, Lisboa


1981

Exposição de Homenagem a Picasso, SNBA, Lisboa


1982

Exposição «O Papel como Suporte na Expressão Plástica», SNBA, Lisboa Exposição de Arte Moderna, SNBA, Lisboa


1983

Tendências da Arte Actual Portuguesa: exposição da SNBA, Lisboa Exposição de grupo: abertura da Galeria Olaias, Lisboa Exposição «Pequeno Formato». SNBA, Lisboa


1984

Bienal de Vila Nova de Cerveira (artistas convidados) Exposição de grupo de (desenho e colagem): novo ciclo da Galeria da Junta de Turismo da Costa do Sol, Estoril Exposição de Pintura e Gravura (grupo): átrium da Casa da Imprensa, Lisboa Exposição de Arte Moderna (colectiva), SNBA, Lisboa
10 ANOS DEPOIS DE ABRIL (colectiva), SNBA, Lisboa Exposição comemorativa do 3º Centenário da morte de Josefa d'Óbidos (colectiva de pintura, escultura, desenho, gravura, objectos e instalações): Escola Superior de Belas Artes/Departamento de Artes Plásticas e Design (repetição na Câmara Municipal das Caldas da Rainha) Exposição colectiva integrada num conjunto de actividades culturais da Escola Secundária de Queluz

1985

Exposição ARTE PORTUGUESA DOS ANOS 80: SNBA, Lisboa III Exposição da AICA: participação com uma série de diapositivos - projecção contínua - intitulada A HISTÓRIA MAL CONTADA OU AINDA D. SEBASTIÃO, SNBA, Lisboa Exposição colectiva de inauguração de «A Galeria», Cascais Exposição da Colecção Gulbenkian de Arte - CENTRO DE ARTE MODERNA, Lisboa Exposições de Grupo em Évora e Cascais


1986

Exposição de Grupo (com Lima de Carvalho, Matilde Marçal, Gil Teixeira Lopes, Hélder Batista, Rogério Ribeiro, Nelson Dias, Marília Viegas e José Cândido) na Galeria Príncipe Real
Exposição de Grupo no «convívio» do Rest. GOODIE's, Lisboa III EXPOSIÇÃO DE ARTES PLÁSTICAS DA FUNDAÇÃO GULBENKIAN


1987

Exposição «6 PROFESSORES DA ESBAL», Galeria Nova, de Torres Vedras, dirigida por António Ceia - Autores: Rocha de Sousa, Lima de Carvalho, Rogério Ribeiro, Isabel Sabino, Maria João Gamito e Nelson Dias


1988

Participação em exposições colectivas em Coimbra e Torres Novas
Exposição colectiva em Vila Franca de Xira


1990

Exposição de Homenagem a Luís Dourdil, Estoril
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Exposições Individuais
:

1967
PINTURA | Galeria do «Diário de Notícias»

Antropomorfismo e abstraccionismo numa fusão expressiva (por vezes fortemente acentuada) e em que a tonalidade lírica se afirma de maneira global. Memória do expressionismo no âmbito de uma nova figuração.

Objectos: pintura a óleo sobre tela.
Títulos: «Modificações
» (I, II, III), «Lírica Da Metamorfose», «Intimidades» (I, II,III), «Mutilações».
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1968
DESENHO | Luanda: Museu de Angola


Antropomorfismo e abstraccionismo numa fusão expressiva (por vezes fortemente acentuada) e em que a tonalidade lírica se afirma de maneira global. Memória do expressionismo no âmbito de uma nova figuração.

Objectos:
técnica mista (gráfica) sobre papel. Título genérico: «Ilustrações Para Uma Metamorfose Do Espaço Aparente». Apresentação: Aníbal Fernandes
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1969

DESENHO | Galeria Quadrante, Lisboa


Série de Desenhos em que foi procurado o confronto expressivo de várias técnicas de representação e um particular desdobramento do espaço, por cortes evidenciados e frontalizados.

Objectos: técnica mista (gráfica) sobre papel. Tema genérico: espaço figurativo. Apresentação: Francisco Bronze
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1969

COLAGEM | Galeria de Arte Moderna, SNBA, Lisboa


Série de colagens desenvolvendo a noção de corte, de negativo e positivo, de rotação, de repetição, de alternância, contraste ou contraponto, a partir das técnicas gráficas dos desenhos expostos na Galeria Quadrante.

Objectos:
papéis em colagem e tratamento gráfico sobre madeira.
Tema genérico: forma/espaço/colagem Apresentação: Dr. Manuel Rio Carvalho

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1971
PINTURA | Galeria Judite da Cruz, Lisboa


Desenvolvimento em pintura das técnicas e do universo presentes nas exposições das Galerias Arte Moderna e Quadrante. As modificações do real através de uma apropriação por fases, por corte, por rotação, por nivelamento e acentuação. Estudo prático da mobilidade visual aplicado fisicamente à desmontagem das coisas.

Objectos:
acrílica e tinta «spray» sobre tela.
Sem título genérico. Texto do autor
.
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1972
«AS PERSONAGENS ILUSTRADAS» (pintura) | Galeria Judite da Cruz, Lisboa


Série de pinturas, numa ordem temática em torno de «personagens» da realidade social, mitologia do quotidiano citadino, arquétipos reinventados na denúncia do consumismo, das alienações, das grandes ausências.

Objectos: (1x1 m): acrílica sobre tela. Títulos: «O Emigrante», «O Banqueiro», «A Velha», «O Soldado», «O Playboy», «O Manequim», «O Automobilista». Sem texto. Indicação de que os trabalhos partiam de documentos fotográficos da actualidade.
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1973
PINTURA | Galeria Judite da Cruz, Lisboa


Abordagem, por associação de técnicas mistas e com um pendor gráfico similar do «poster», de aspectos da mitologia do quotidiano lisboeta e/ou da actualidade.
«O expressionismo refreado não conduz a uma figuração de segundo grau de carácter satírico.
Como já sugeri, toda a distanciação psíquica é em Rocha de Sousa acompanhada de um sentido de globalidade, a cuja transparência aspira e onde, entre a rejeição e a recuperação, se estabelece uma dialéctica que se apodera de todos os elementos. Pela sua violência implícita, o expressionismo do pintor vai surpreender interiormente as imagens feitas e correntes, tomando em relação a elas uma posição crítica» (in catálogo, ensaio de Rui Mário Gonçalves).

Objectos:
acrílica, têmpera, lápis e tinta da China sobre «cartão-madeira».

Títulos:
«Estrada Nacional nº 4», «Estrada Nacional nº3», «Tráfego», «Manifesto» «Futebol», «Crónica Feminina», «Anónimo», «Histórias da Guerra», «Largada», «Manequim», «Seara», «Hot-Pants», «Rali», «História Trágico-Marítima».

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1982
1. «QUESTÃO DE LINGUAGEM E PROJECTO: APOCALIPSE (NOW) OU A RECONSTRUÇÃO DA TORRE DE BABEL»


2. «UM OLHAR PELOS RESTOS DA VIAGEM OUTRORA»

Galeria de Arte Moderna da SNBA

O primeiro trabalho, concebido e executado em colaboração com a pintora Maria João Gamito, foi apresentado e aceite na Bienal de Desenho LIS/81.

PINTURA, DESENHO, COLAGEM | Galeria S. Francisco, Lisboa

Em paralelo com as pesquisas integradas na anterior exposição, as obras constantes desta mostra (para além de cinco pinturas a acrílica sobre tela) formavam uma longa sequência tratada pela imagem e pela palavra, com uso sobretudo da técnica da colagem (papéis, fotocópias, fotografias) e vários tipos de representação. Aqui se coordenaram prolongamentos e cruzamentos do expressionismo, da abstracção, da nova figuração, do realismo, no ensaio renovado da exploração do espaço e da forma por corte, rotação, competição, contraste, repetição e ordenação geométrica.

PINTURA, DESENHO, COLAGEM | Galeria do «Jornal de Notícias», Porto

PINTURA, DESENHO, COLAGEM |
Galeria Municipal, Portalegre
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1983
AS COISAS E AS PALAVRAS
| Galeria de Arte Moderna da Sociedade Nacional de Belas Artes

Trabalho em co-autoria com a pintora Maria João Gamito: relação texto/fotografia/desenho - série por grupos temáticos e numa unidade de expressão em torno de igual função poético-pedagógica.

DESENHO E PINTURA | Galeria da Associação de Estudos e Defesa do Património Histórico e Cultural de Silves

Recomposição sintética da série sobre a «Guerra Inútil», incluindo um pequeno conjunto de desenhos sobre o mesmo tema.
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1984

COLAGEM E PINTURA | Ciclo de Artistas Plásticos Portugueses do Lions Club de Sintra, Hotel Tivoli
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1986
PINTURA E COLAGEM | Galeria da Livraria Bertrand, Lisboa

Lançamento, no mesmo dia, da edição (editora Figueirinhas) do livro de ficção «OS PASSOS ENCOBERTOS», no prelo desde o ano de 1983.
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1987

PINTURA E COLAGEM
| Galeria da Livraria Bertrand, Porto

Acção idêntica à de Lisboa, incluindo o lançamento do livro «OS PASSOS ENCOBERTOS» (vide artigo da escritora Nunes «Para uma recuperação dos Sisifianos», no Jornal de Letras - Abril 87.
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1989
HISTÓRIAS DA GUERRA OU O REAL IMPOSSÍVEL |
Galeria 5, Coimbra

Apresentação:
Matos Chaves
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Actividade artística específica
:


O autor desenvolveu uma extensa actividade de divulgação cultural por meio de programas audio-visuais, sobretudo na RTP, a par de acções pedagógicas com diaporamas e vídeos. A investigação artística específica centrou-se no cinema em Super-8 e no vídeo.

Séries de televisão:

Programa: «PERSPECTIVA» (divulgação da actividade artística e afins) realizado em 12 filmes por José Elyseu.
Programa: «APROXIMAÇÃO À PINTURA» (12 filmes formulando o entendimento estrutural e de discurso da pintura): realização de José Elyseu e apresentação de Rocha de Sousa.
Programa: «INTERVENÇÃO ARTÍSTICA» (dedicado ao panorama da arte de vanguarda ou de intervenção) colaborado por José Luís Porfírio e realização de José Elyseu.
Programa: «A ARTE E AS COISAS» (abordagem da relação entre o mundo concreto e a arte, sobretudo a pintura, procurando abrir leituras novas e uma compreensão da arte nos nossos dias), RTP/cor, com realização de José Elyseu.
Programa: «AUTORES PORTUGUESES» (dedicado a Amadeo de Sousa Cardoso, Jorge Barradas, Almada Negreiros, Martins Correia, Júlio Resende e Júlio Pomar), RTP/cor, com realização de José Elyseu.
Filme dedicado a: «JOSÉ ESCADA», RTP/cor, realizado por José Elyseu.
«FORMAS PLÁSTICAS», produção do ITE; cor, realização de de Rocha de Sousa e participação de Lima de Carvalho.
Filme sobre: «QUERUBIM LAPA» RTP/cor, realização de José Elyseu, distinguido pela Universidade da Televisão.
Filmes sobre a Central Tejo: «MUSEU ENCOBERTO», e sobre o museu Heidoven, «MUSEU QUE VIAJA», RTP.
Filme sobre Almada: «ALMADA, PORTUGUÊS E MITO» (dedicado à obra de A. Negreiros), RTP/cor, realização de José Elyseu.
Programa: «PORTUGAL CONTEMPORÂNEO: A ARTE POSSÍVEL» (dedicado à história da arte portuguesa contemporânea de 1900 e 1975), produção RTP/cor, realização de José Elyseu.
Programa: «A MÃO: O HOMEM EM PROJECTO» (12 filmes dedicados à aproximação do estudo da evolução do Homem nos seus diversos habitats, nascimento e multiplicação de instrumentos, das artes e dos engenhos), produção RTP/cor, realização de José Elyseu.

Vídeos didácticos:


No âmbito da Universidade Aberta: «TAPEÇARIA PORTUGUESA», «TAPETES DE ARRAIOLOS» e «SONETO DE CAMÕES», trabalho de concepção, realização e montagem em equipa.
No âmbito da ESBAL: diaporamas sobre «CAMPO ESTRUTURAL DA LINGUAGEM PLÁSTICA», «FORMA PLÁSTICA INTEGRADA», «OUTROS MODOS DE FORMAR» e «PROJECTO ARTÍSTICO».

Vídeos:

«REAL
IMPOSSÍVEL», «PINTURA DE FÁTIMA MENDONÇA», «OBRA DE LIMA CARVALHO, ROGÉRIO RIBEIRO», «RELATÓRIO SOBRE O 1º ANO/IAPD», «EXPOSIÇÃO DE HOMENAGEM A LAGOA HENRIQUES» e «DOCUMENTÁRIO SOBRE A ESBAL» (1988, 1989 e 1990).

Filmes de ensaio:

Trabalhos em Super-8, cor, som magnético: «SEMEARAM VENTOS», «O VÉU DENTRO DA CIDADE», «RUPTURA NO INTERIOR», «A MORTE DE ANA ORWELL», «MEMÓRIA E FICÇÃO», «A CASA REVISITADA», «O PRISIONEIRO», «ELES CRESCEM ASSIM». Colaboração de Lima Carvalho, Lurdes Robalo, Hélder Batista, Maria João Gamito e Carla Batista.

Vídeos de ensaio:

«A CARTA» (8/VHS) com Ana Machado e Zélio Ferreirim; «A HORA ZERO» (8/VHS) com Ana Machado; «O TÚNEL», «VENTOS», «SINAIS», «ESCOLA SUPERIOR DE BELAS ARTES», «A PRAGA» (9/VHS) com Rui Moutinho, Ana Machado e Fátima Mendonça, 1990; «MISSA NEGRA» (8/VHS) com Ana Machado e Fátima Mendonça; «PROJECTO K» (8 /VHS) com Fátima Mendonça; «A PAIXÃO» com Fátima Mendonça.

Nota: o filme «O VÉU DENTRO DA CIDADE», premiado no Festival de Coimbra, foi apresentado em França; e o filme «A MORTE DE ANA ORWELL» escolhido para a antologia 10 anos de Super-8 no mundo, Cinemateca Nacional, 1986.


Ensaio, crítica de arte e obra literária:


O autor trabalhou no aprofundamento das questões relativas ao fenómeno artístico, tendo publicado ensaios sobre vários temas em jornais e revistas como: «COLÓQUIO» (artes); «REVISTA DE ARTES PLÁSTICAS»; «SEMA»; «JORNAL DE LETRAS»; «DIÁRIO DE NOTÍCIAS»; «JORNAL»; «EXPRESSO»; revista semanal «OPÇÃO».

Exerceu actividade como crítico de arte na revista «& ETC» e sobretudo no jornal «DIÁRIO DE LISBOA» (suplemento literário).
Publicou ensaios de reflexão no âmbito das artes plásticas e seus contextos sociológicos no suplemento «FIM DE SEMANA DIÁRIO».

Bibliografia:

Publicou «PARA UMA DIDÁCTICA INTRODUTÓRIA ÀS ARTES PLÁSTICAS» (com Hélder Batista); «DESENHO»/área: artes plásticas (TPU); «TECNOLOGIA DA EXPRESSÃO»/ texto para professores (DGES).

«
AMNÉSIA» (teatro, edição de E. Fernandes de Matos)
«OS PASSOS ENCOBERTOS» (romance, editora Figueirinhas)
« ANGOLA 61» (romance, editora Contexto)
«A CASA REVISITADA» (romance, edição do autor)
«A CULPA DE DEUS» (romance, editora Tartaruga)
«BELAS-ARTES E SEGREDOS CONVENTUAIS» (romance, editora Tartaruga)
«A CASA» (romance, editora círculo de Leitores)
«PEDRO CHORÃO» (ensaio, editora Imprensa Nacional-Casa da Moeda)
«DOURDIL» (ensaio, editora Imprensa Nacional-Casa da Moeda)
«EDUARDO NERY» ( editora Imprensa Nacional-Casa da Moeda)
«GRAVURA - GIL TEIXEIRA LOPES» (análise da obra)
«GIL TEIXEIRA LOPES - RETROSPECTIVA GRAVURA» (análise da obra)

Outros dados:

ROCHA DE SOUSA
está representado em colecções nacionais e estrangeiras, nomeadamente: ESBAL, FUNDAÇÃO CALOUSTE GULBENKIAN, MUSEU DE ARTE CONTEMPORÂNEA, MUSEU DE SKOPJE e diversos museus regionais (Abel Manta, Ovar, Estremoz, Mirandela, entre outros).

segunda-feira, 7 de Setembro de 2009


EXPOSIÇÃO O VERMELHO - «O TANGO»


Miguel Baganha, acrílico s/ tela | 2009
81x64 cm- série: Fragmentos do Visível II

MEMÓRIA BREVE
DE UM TANGO PERDIDO


A esquina, o canto, o ângulo recto de um chão enviesado, o vermelho e o negro, como em Stendhal, pena de ferro fino crispada sobre o papel poroso, todo o ruído num só fio rasurado mas inteiro - e a dança procurada dos dedos invisíveis, apenas o aparo em jeito de lança antiga, preto, branco e vermelho, memória breve de um tango perdido, aqui encoberto pelos fragmentos minimalistas das suas cores emblemáticas, românticas, a prumo ou na horizontal, a escrita cursiva, itálica, bordando alguns limites escuros, lisos ou texturados, e ainda os panos dos teatrinhos de zarzuela, flamengo em Granada, as praças de Buenos Aires, desertas sob a bota militar, gente perdida e assassinada, corpos cinzentos atirados para as valas comuns que só há pouco as mães dilaceradas descobriram, impossibilitadas de encontrar nas fardas e nos ossos, o rosto forte dos seus filhos. Praças amplas como as de Chirico, atravessadas de sombras negras, oblíquas, ameaça visual que uma menina, inocente, não conhece, fazendo rolar o arco sob os contrastes da luz branca, solar, e a sombra côncava debaixo das arcadas, como acontece na Lua que já sabemos como é, nem plácida nem escura: os poetas cantavam-na, em tabernas e espaços nocturnos, ouvindo os sapatos das mulheres, vendo as suas blusas vermelhas, os seus folhos negros, uma coxa avançando, branca, e logo se escondendo, enquanto as botas dos homens, pretas e luzidias, traçavam o espaço e assentavam no chão, num rodopio do sonho ou do desejo, e em tudo isso, afinal, uma geometria secreta como a que se expõe e se oculta nestes planos negros, nestas faixas vermelhas, no brilho branco das camisas, equilíbrio trenário que submeteu o nosso olhar à vertigem das curvas, à doce violência de um enlace pela dinâmica, corpos em contra-luz, negro partilhado com o vermelho, branco com o apagamento do gesto petrificado. Também nestas telas o mundo se petrifica, as medianas e as diagonais sugerem a ordem pelo absoluto, são igualmente absurdas na inutilidade do seu espectáculo mínimo, só elas fingindo uma rasura textural em certas arestas, o espaço do silêncio entretanto, a completa imobilidade, o completo esquecimento das grandes bandeiras totalitárias.

Se
Chirico ressuscitasse e viesse visitar estes espaços, na dureza do quase nada, haveria de desenhar uma menina que ele criou e ali costuma passar, o aro de metal barulhando devagar no empedrado de outrora.

Rocha de Sousa
_______________________

EXPOSIÇÃO TEMÁTICA DE PINTUR
A,
DESENHO, GRÁFICA ORIGINAL E OBJECTOS















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INAUGURAÇÃO: DIA 17 DE SETEMBRO ÀS 19:30
NA GALERIA PROVA DE ARTISTA

Artistas participantes:

Pilar Garcia
Abril, Miguel Baganha
, Joaquín Capa, Ming Yi Chou, José Manuel Círia, Manuela Cristóvão, Francisco Ferreras, Teresa Herrador, Saskia Moro, Lucy Pereira, Mário Rita, Daniela Rocha, Maria Luisa Sanz

TERÁ LUGAR UM ESPECTÁCULO DE TANGO ÀS 20:30h
DOS PRINCÍPIOS DO SÉCULO XX AOS ANOS 30:


Milonga
“Negra Maria” por Manuel Meanos e Lucio Demare

(Intérprete: Mercedes Simone)

Tango – “Felícia” por Carlos Pacheco e Enrique Saborido

(Intérprete: Trio Gonzalito)

Milonga – “El Porteñito” por Manuel Meanos e Angel Villoldo

(Intérprete: Carlos Garcia))

Canyengue – “Zorro Gris” por R. Tuegols e F. Garcia Jiménez

Tango Canção – “El dia que me quieras” por Enrique Ugarte

(Intérprete ao vivo: Vera Neves

DOS ANOS 40 ATÉ AOS NOSSOS DIAS:

Valsa Criolla – “La Tapera” por Edgardo Donato

Tango – “Millongueando en el 40por Aníbal Troilo

Tango Canção – “Balada para un loco” por Astor Piazzolla

(Intérprete ao vivo: Vera Neves)

Tango – “Orgullo Criollo” por Astor Piazzolla

Direccção e Coreografia: Miriam Nieli

Intérprete Vocal: Vera Neves

Dançarinos: Adriana Fernandes, Carlos Silva; Dalila Romão, Hugo Messias; Maria Elisabete Rosa, Vítor Conde; Maria Manuela Azevedo, Francisco Lebre; Noémia Liebaut, António Santos; Tatiana Ecetova, João Sabino.


PROVA DE ARTISTA
Rua Tomás Ribeiro, 115 - Loja 1
1050 - 228 Lisboa
Telef.: 21 319 95 51
Móvel: 91 788 59 91
e-mail: provartista@gmail.com
Segunda a Sexta: 10:30 - 20:00
Sábado:15:00 - 20:00

quinta-feira, 4 de Junho de 2009


ARQUITECTURA ORGÂNICA











( Taliesin West )


«
A Arquitectura Orgânica busca um sentido sup
erior de utilidade e um refinado sentido de conforto, expressos em simplicidade orgânica

FRANK LLOYD WRIGHT

é um dos mais importantes arquitectos do século XX.
Nasceu em Richland Center, Wisconsin a 8 de Junho de 1867.
Com a tenra idade de 12 anos, os pais de Wright mudaram-se para Madison, onde frequentou o Liceu. Foi na quinta de seus tios em Spring Green, durante umas férias de Verão que Wright realizou o sonho de se tornar arquitecto. Em 1885, deixou Madison sem completar o liceu e começou a trabalhar com o chefe do departamento de Engenharia da Universidade de Wisconsin, passando dois semestres a estudar engenharia civil. Em 1887 muda-se para a cidade de Chicago.
E é nesse período que começa a dar os primeiros passos como arquitecto, colaborando com o arquitecto Joseph Lyman Silsbee. Wright desenhou então, a construção do seu primeiro edifício, a capela de família Lloyd-Jones também conhecida por Unity Chapel.
Um ano depois, ingressou na firma Adler & Sullivan, adoptando o lema do director Louis Sullivan, A Forma segue a função. Sullivan acreditava que a arquitectura Americana deveria fundamentar-se na função Americana e não nas tradições Europeias, uma teoria que Wright viria a desenvolver no futuro. Sullivan foi indubitavelmente a sua primeira grande referência, influenciando fortemente a sua carreira. Entretanto, Wright conhece e apaixona-se por Catherine Tobin, que se tornaria a mãe dos seus cinco filhos. Em 1893, Wright separa-se do seu mentor, Sullivan, e abre a sua firma em Chicago. Cinco anos depois transfere o gabinete para a sua própria casa, em Oak Park. ( Oak Park Studio )

As primeiras
casas construídas por este jovem e promissor arquitecto tinham um estilo muito próprio, usando um plano horizontal sem caves ou sotãos. Modelo que serviu de inspiração aos
Prairie School, um nome dado a um grupo de arquitectos cujo estilo assentava na cultura indígena. Mais tarde, Wright tornou-se um dos seus mentores. Algumas das suas criações que melhor referenciam
esse período são a
Robie House em Chicago, Illinois e a Martin House em Buffalo, Nova Iorque.


Em 1909, depois de ter permanecido 18 anos em Oak Park, Wright deixou a sua casa e vai para a Alemanha com uma mulher chamada Mamah Borthwick Cheney. Regressam em 1911 para Spring Green e a sua mãe oferece-lhe um terreno de família, uma quinta onde ele passou parte da sua juventude e onde viria a construir Taliesin. Aí viveram até 1914, uma data inesquecível para Wright, marcada pela tragédia. Um empregado louco assassinou Cheney e mais seis pessoas, incendiando o estúdio de Taliesin em seguida. Previa-se que este terrível episódio acabasse por destruir a sua carreira mas contrariamente às expectativas, Wright reagiu com a decisão de reconstruir Taliesin. ( Taliesin I )

A obra de Wright, foi crescen
do ao longo de 20 anos e o reconhecimento pelas suas construções inovadoras foi-se consolidando nos Estados Unidos e Europa.
Em 1915, ganhou o concurso para o projecto do
Tokyo Imperial Hotel. É por esta altura que Wright começa a desenvolver as suas filosofias arquitecturais e sociológicas. Por Wright antipatizar com o atmosfera urbana, os seus edifícios tinham um estilo muito diferente dos outros arquitectos da época. A utilização de materiais naturais, claraboias e paredes repletas de janelas, possibilitava um contacto mais próximo com o meio ambiente. Foi também pioneiro na construção de arranha-céus. Edifícios altíssimos, imitando àrvores, onde um fuste central dava origem a outras divisões, ramificando-se e projectando-se para o exterior. Ele defendia que as formas encontradas na natureza não só deveriam fazer parte dos edifícios, mas acima de tudo, tornar-se a base da arquitectura americana. O edifício Larkin Administration em Buffalo, Nova Iorque (1903) e o museu Guggenheim em Nova Iorque (1943), são belíssimos exemplos desta teoria, este último revelando semelhanças com uma concha ou caracol.









Em 1932, Wright, usou o Taliesin para fundar uma escola de arquitectos (The Frank Lloyd Wright Foundation), onde jovens arquitectos podiam pagar para aprender e trabalhar com ele. De ínicio, cerca de 30 aprendizes foram viver com ele em Taliesin.







Através desta Fundação, Wright criou obras grandiosas, tal como a célebre, Fallingwater. Neste período, casou-se e separou-se de
Miriam Noel e conheceu
a sua terceira mulher, Olivanna Milanoff. Os dois viveram cinco anos em


Taliesin onde criaram um filho, mas à medida
que o casal ia envelhecendo, os duros Invernos do Wisconsin começaram a tornar-se insuportáveis, obrigando-os a mudar para ares mais quentes.









( Taliesin West )

Decorria o ano de 1937, quando Wright mudou a sua família e a associação de arquitectos para Phoenix, no Arizona e aí construiu uma sede do Taliesin, o Taliesin West, onde passou os últimos vinte anos da sua vida.
O confortável clima do Oeste,
proporcionou a Wright a possibilidade de integrar os espaços
exteriores com os interiores, levando-o a desenh
ar telhados altos e inclinados, tectos transparentes e grandes portas e janelas, separando subtilmente a casa do meio ambiente.

O Taliesin e o Taliesin Oeste, estiveram permanentemente sob construção, exigindo muito de Wright. Devido ao crescimento do número de associados, era imperativo o aumento das instalações, criando divisões e expandindo os espaços.












A 9 de Abril de 1959 e com 92 anos de idade, Frank Lloyd Wright, morreu em sua casa, em Phoenix (Arizona). Pela altura da sua morte, ele já era mundialmente conhecido pelo seu estilo de construção inovador e design contemporâneo.

Certa vez, Lloyd, terá dito:

«Cada edifício tem de responder à Natureza, e todos os edifícios têm de ter a sua própria Natureza.»







DVICE

Lake House

Obra e vida-slideshow

Obras de Frank Lloyd Wright



Ao longo da sua vida,
criou 1,141 projectos, dos quais 532 foram realizados. O seu nome ficará para sempre associado a um design grandioso, não tanto pela forma dos seus projectos, mas sobretudo pela sua funcionalidade. No final, Wright demonstrou, que o urbanismo pode coabitar com a Natureza sem a destruir.

Miguel Baganha


Nota especial:
Daniela, minha querida, este post, dedico-o a teu pai.
Ele esteve sempre presente na minha memória ao longo desta edição. Estou certo de que nunca será esquecido pelos seus, além de saber que ficará, também para sempre, no coração do povo moçambicano, perpetuado através dos projectos realizados naquele país, muitos dos quais trabalhando Pro Buono.

Onde quer que estejas, um grande bem-haja, José Manuel Rocha de Sousa!

segunda-feira, 11 de Maio de 2009


O AZUL


EXPOSIÇÃO COLECTIVA DE PINTURA
E GRÁFICA ORIGINAL















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INAUGURAÇÃO: dia 15 de Maio às 19:00
NA GALERIA PROVA DE ARTISTA

PROVA DE ARTISTA


Rua Tomás Ribeiro, 115 - Loja 1
1050 - 228 Lisboa
Telef.: 21 319 95 51
Móvel: 91 788 59 91
e-mail: provartista@gmail.com
Segunda a Sexta: 10:30 - 20:00
Sábado:15:00 - 20:00

sexta-feira, 27 de Março de 2009


UMA OUTRA REALIDADE














Julien Levy, influente marchand e colecionador de arte do séc. XX, ao editar um livro intitulado O Surrealismo, previu o movimento neo-surrealista emergente do movimento Pop Art neo-Dada de 60. Até certo ponto, a sua profecia tornou-se realidade, mais concretamente naquilo que refere à fotografia. Neste campo, a influência dos surrealistas pode ser vista no que concerne aos enigmas do espaço e luz, fantasmagoria, sonhos metafóricos e conceitos.
Para André Breton, lider filosófico do movimento de 1930, a ambiguidade era de suprema importância, evocando objectos, identidades e situações indefinidas, choque e absurdo. Dentro deste novo conceito inúmeros artistas foram nascendo, nas mais variadas expressões e técnicas, nomeadamente na fotografia.
O número de praticantes desta última, aumentou incrivelmente desde a sua invenção, mas muito poucos conseguiram atingir reconhecimento mundial.

RALPH GIBSON
é um desses raros casos.











Nascido em 1939 na cidade de Los Angeles e filho de um empregado da Warner Brothers, Gibson aprendeu fotografia na adolescência durante o seu recrutamento na marinha. Em seguida mudou-se para San Francisco onde estudou por um breve período no Instituto de Arte de San Francisco e trabalhou como assistente de Dorothea Lange. Em 1963 regressa a L.A. e começa a trabalhar como fotógrafo freelance. Em 1966 vai para Nova Iorque e torna-se assistente de Robert Frank no filme Me and My Brother. As suas fotografias nesta fase eram no género documental, nitidamente influenciadas por Frank, Henri Cartier-Bresson e William Klein. É neste período que ele produz o seu primeiro trabalho The Strip em formato de livro, mas só com o The Somnambulist em 1970, também neste formato e publicado pela sua Lustrum Press, Gibson conseguiu alcançar a fama. Esta obra sugere a utopia dos sonhos numa surrealidade concebida por meio de cortes e justaposição de imagens, sombras, reflexos e grão.












Esta tendência trouxe-lhe fama, fortalecendo o seu compromisso com o estilo de livro fotográfico e adquirindo assim a possibilidade de viajar. Imagens eróticas, combinando o sentido intimista com um ousado toque de incongruência ( Days at Sea 1974 ) foram sempre uma referência, sempre mantendo Gibson numa perspectiva muito própria.
Ralph Gibson, fez uma trilogia dos seus livros sequenciais entre 1970 e 1974, que sugerem estados de espírito na tradição surrealista.

As suas imagens são sensuais e misteriosas, situadas numa realidade onírica mas quase sempre paralela com a mundana. Na introdução para o The Somnambulist, ele escreveu: « Durante o sono, o sonhador aparece num qualquer ponto do planeta, tornando-se pelo menos em dois homens. Os seus sonhos enquanto dorme providenciam a substância dessa realidade, enquanto os seus sonhos acordado se tornam naquilo que ele imaginou para a sua vida... Chamado por si próprio, esse outro homem (O que Dorme) para que regresse a um vasto mundo de luz e pleno de verdade, ao que ele aceita sem hesitação... Claridade é tudo o que qualquer homem busca, e este Sonambulista simplesmente encontra a sua no Outro Lado. »
Estas ideias, indubitavelmente descansam sobre o mote surrealista de Breton para descobrir « o mais real do que o mundo real por trás do real. » Gibson coloca o sonhador em dois mundos de sonho; o mundo do sonho acordado da realidade consciente e o outro mundo do sonho inconsciente. Ele torna-se numa dualidade, dividido mas inclinando-se sobre o simbólico mundo da sua cama, onde uma interior claridade pode ser encontrada. É com efeito, a introspecção psicológica que os surrealistas re-definem sob a influência de Freud. O seu objectivo era unir finalmente a realidade do sonho com a realidade acordada, de forma a que um todo ou uma só realidade pudesse ser mantida. É notório que os métodos e técnicas surrealistas foram adoptados por Ralph Gibson.
Podemos comparar a sua fotografia à escrita automática, onde simbolos ambíguos e uma tensão entre a moldura e a sequência servem para desorientar o público, elevando-o a um nível fora do alcance da visão programada do mundo. A metáfora, o fetiche e os objectos ambíguos empregados por si, são antigos mecanismos literários e visuais a que os surrealistas recorrem para sugerir os mistérios do inconsciente. A parábola, a alegoria e a fábula estão também entre eles.

Embora as fotografias de Gibson acumulem metáforas à realidade do sonho, individualmente, muitas são fetiches Dadaístas. Contudo, é apenas um fragmento, pois o fetiche é um objecto de reverência com poderes mágicos que representa mais do que o todo do qual é uma parte. « Menos é mais » é a filosofia de Gibson e isso é visível no conteúdo minimalista das suas imagens. A lógica desta filosofia ganhou maior expressão com Quadrants, uma série que criou uma noção mais exacta do poder de espaço e escala na fotografia. Um botão no estômago de uma mulher obesa, um fato que veste um manequim sem cabeça diante de uma montra, a parte de trás do pescoço de um homem, um pedaço de uma parede de cimento projectada no espaço, parte de um rosto dissecado pela sombra, uma mão ou a margem da fotografia, ela própria desorientada, repelida, que dirige a atenção do espectador para o poder extra-sensorial da redução.













Este renomado fotógrafo, que já conta 40 anos de carreira, continua ainda hoje a fascinar-se com detalhes e texturas de corpos e objectos, trabalhando com alguma frequência os close-up.











Após uma breve para pausa, Gibson regressou em 2008 e brindou os seus admiradores e amantes da fotografia em geral com uma colecção de nús, revelando com a sua peculiar perspectiva que o p&b será sempre uma expressão contemporânea.

Miguel Baganha

quarta-feira, 28 de Janeiro de 2009


ANOS 90,

A DÉCADA DO PÓS-MODERNO

Parte III - última parte













( Ghos
t - Rachel Whiteread, 1990 )

Na sequência do que já foi falado até aqui, a tradição do conceito minimalista também foi refrescada pela lufada do ar fresco que se respirava nos anos 90, dando lugar a uma nova tendência. Um dos responsáveis e defensores desta nova tendência, é indubitavelmente, Rachel Whiteread, que conquistou reconhecimento mundial em 1993 com " House ", sendo a primeira mulher a vencer o " Turner Prize " nesse mesmo ano. Este apreensivo lado da tendência do novo minimalismo da arte de 90, coloca-se de parte dos análogos anos 60, centrando os seus princípios primariamente nas formas puras e nas cores primárias. Estávamos em 1996, quando Whiteread avançou com o projecto arrojado para a construção de um memorial em Viena, dedicado aos austríacos que foram vítimas do regime nazi. A ideia de Whiteread, -somente aprovada em 2000- consistia num bloco colossal ( abaixo, à direita ) de granito, sendo as suas faces esculpidas com a forma de milhares de lombadas de livros. Uma óbvia referência aos livros que foram queimados sob as ordens do ditador fascista Adolph Hitler. O
memorial de Whiteread é assim como o fantasma de uma biblioteca ou a sombra duma tradição. À semelhança de todos os seus trabalhos, " House " e o seu Holocaust Monument, são simples moldes de espaços negativos de objectos ou divisões -normalmente banais-, que depois se transformam em entidades palpáveis. Nas palavras de Whiteread: " elas são a impressão a negativo, -relíquias ou resíduos- daquilo que foram outrora, exibindo nas superfícies, vestígios legíveis da sua significação... são ambas, fantasmas fossilizados e exemplos físicos de um ossificado espaço negativo. "
















Rachel Whiteread - Embankment

Tal ambiguidade, caracteriza a mentalidade desse fim de século, fazendo referências à história da arte, bem como a temas de ordem política e social. Na generalidade dos casos, as declarações dos artistas podem ser interpretadas em vários níveis, sendo difícil de determinar que posição está a ser tomada. Será que Gregory Green apoia ou denuncia o terrorismo com as suas " malas-bomba "?, Jake & Dinos Chapman criticam ou contribuem para o abuso de menores?... os monstruosos animais híbridos de Thomas Grünfeld condenam a manipulação genética?, e qual será o tipo de relacionamento entre Richard Billingham e a sua família ? Estas e outras questões similares levantadas pela arte, foram, são, e sempre serão questões dificeis; senão mesmo: impossíveis de responder. A experiência de presenciar alguns destes trabalhos pela primeira vez, pode ser chocante, porém logo é superada, induzindo o espectador a reconsiderar as existentes ideias e conceitos.











Á semelhança de Egon Schiele, Franz von Stuck e Edvard Munch e muitos outros artistas da viragem do séc.XIX, os artistas do final do séc. XX desafiaram os espectadores e quebraram tabus, de forma a incandescer a provocação na melhor acepção da palavra.









Assim é tudo: provocar a sociedade, levando-a a ponderar e reflectir sobre o seu próprio estado de existência.

Miguel Baganha